14/03/2016

Sobre o Dia Da Mulher, feminismo e sororidade



O feminismo é com certeza a pauta que eu mais quero comentar aqui no blog, porém fiquei com um pé atrás durante muito tempo. Antes, achava que era por conta do fato de eu não saber tanto sobre o assunto, mas percebi que era pelo medo do julgamento das pessoas ao saberem que eu sou feminista. E olhem só: esse medo é justamente o que me fez vir aqui e começar esse texto; é só batendo de frente que eu vou conseguir realmente ver e expressar a importância do assunto. Já aviso que o post vai ser longo.

Não cresci em um ambiente livre de machismo (e acho que ninguém cresceu). As desculpas de que devia fazer x e falar y "porque eu era menina" nunca entraram na cabeça dessa garota que hoje vos escreve. A inveja da liberdade do irmão e o questionamento de por que a vida dos meninos com quem eu convivia parecia muito mais fácil eram alguns dos motivos pelos quais eu sempre me perguntei o que havia de errado comigo.

"Você é muito inteligente pra uma garota"
"Você não pode porque é menina"
"Senta como uma mocinha"
"Menina tem que ser educada"
"Como assim não quer ter filhos?"

Eu poderia passar horas listando essas frases.

Conforme fui crescendo, percebi que o problema não afetava só a mim, mas sim todas as mulheres, como um todo. Nos diminuem como pessoas, e nos colocam em uma posição onde precisamos dos homens e odiamos as mulheres à nossa volta. "Não há nada pra questionar; é assim e ponto". Limitam nossa visão, e achamos errado se vislumbramos o horizonte; será que tem algo além dele?

Eu queria, com todas as minhas forças, acreditar que eu não estava sozinha. E eu não estou.



O Dia da Mulher veio como lembrança dessa luta contra as correntes que nos prendem. Em 8 de março de 1857, trabalhadores de uma indústria têxtil de Nova York fizeram greve por melhores condições de trabalho e igualdades de direitos trabalhistas para as mulheres, que foi reprimida fortemente. Mas foi em 25 de março de 1911 que ocorreu o que muitos consideram o marco do Dia da Mulher: o incêndio em uma fábrica têxtil em NY que resultou na morte de cerca de 125 operárias.

O que muitos transformam em um dia de "eu nunca me dei ao trabalho de respeitá-la, mas toma aqui uma rosa", eu vejo como uma marca que todas nós carregamos: se há um Dia da Mulher, o resto dos dias continuam sendo dos homens. E nós não temos que aceitar isso; é aí que o feminismo entra.

O feminismo entra para nos lembrar que: nós devemos ter o direito de escolha sobre o nosso corpo; nós não temos que nos encaixar em padrão estético/comportamental nenhum; nós podemos seguir em qualquer área no mercado de trabalho e devemos ganhar o mesmo que os homens de mesmo cargo; o estupro nunca é nossa culpa; a cantada é uma forma de assédio intolerável, e incômodo que ela causa não é "coisa da nossa cabeça"; as outras mulheres não são inimigas; não há nada de errado em não ter o casamento ou a maternidade como meta pessoal; não devemos aceitar a objetificação que sofremos pela mídia e disseminada por muitos homens; e acima de tudo, a união faz a força.

Não merecemos respeito por aguentar andar de salto, menstruar, ou conciliar o trabalho com a vida maternal (?). Merecemos respeito por sermos - podem ficar chocados - pessoas.

Que o Dia da Mulher tenha sido uma lembrança, uma cicatriz de toda a luta que passamos e de tudo aquilo que s mulheres antes de nós enfrentaram para conquistar aquilo que temos. Mas que também tenha sido um incentivo a nunca pararmos de lutar - ainda temos muita coisa pra conquistar.

"As mulheres são como as águas: crescem quando se encontram".

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