02/01/2016

Obrigada, 2015

Imagem de 2016, christmas, and future

Estou escrevendo esse post no Word, pela primeira vez. Desacostumei totalmente com o Blogger, desacostumei demais a escrever. Sabe, quando se é adolescente, você vive se perguntando se está vivendo o bastante. São casos e mais casos de pessoas infelizes, que dizem o quanto se arrependem por não terem vivido enquanto havia tempo. E sinto que, em 2015, eu verdadeiramente vivi. Não, eu não estou falando de ter, sei lá, saltado de paraquedas, ido a uma festa escondida ou corrido uma maratona. Fiz aquilo que estava ao meu alcance, e me senti completa com isso.

Nesse ano, aprendi a me virar sozinha. Fui para o novo colégio no centro da cidade, lidei com imprevistos em trabalhos finais, sacrifiquei noites de sono e sábados de descanso para algo maior – uma nota dez em uma prova ou trabalho. Aprendi que nada nessa vida é conquistado sem esforço, e eu tenho que correr atrás e me dedicar muito se eu quiser ser a melhor. E que, de vez em quando, é necessário fazer sacrifícios em prol de meus objetivos. Mesmo que isso signifique parar de postar no blog.

Vi que a minha cidade é muito maior do que eu imaginava, e nela há pessoas muitíssimo diferentes umas das outras – e isso é bom. Ouvi mais, debati mais, e de certo modo, me irritei mais. Mas isso serviu para eu ver que ninguém é obrigado a concordar comigo, e é através do diálogo que se chega a um consenso.

Aprendi a dar mais valor à comida fresca da minha mãe, a um domingo sem compromissos e a uma maratona de filmes sem horário. Aliás, se tem uma coisa que fiz nesse ano, foi discutir sobre cinema. Vi que essa arte me move, e de certo modo, quero mantê-la na minha vida – mesmo sendo apenas uma espectadora assídua.

Me decepcionei, chorei, fiquei nervosa. Mas ri. Ri muito! Gargalhei ao lado dos meus irmãos, dos meus amigos, da minha mãe! Passei a usar o tempo ao lado deles com prazer, e não com desdém. E isso atinge também as amizades virtuais. Acreditam que eu encontrei minha amiga virtual aqui em São Paulo, com direito a sessão de cinema, visita na Casa das Rosas e muita muita muita risada?

Perdi familiares para doenças, perdi amigas para a distância. Mas ganhei companheiros para risadas, amigas para o meu coração, e irmãs para a minha alma. E percebi que nunca é tarde para reinventar uma amizade antiga, se o companheirismo ainda existir entre as pessoas.

Imagem de netflix

Não comprei livros e mal mexi na minha estante. Mas passei madrugadas no Netflix e – pasmem! – domingos assistindo futebol. Acredita que fui até ver um jogo no estádio? Voltei a ver séries antigas e me apaixonei por séries novas.

Pintei o meu cabelo. Descobri que o amo curto, e que esse corte fica bem em mim, como nunca ficou antes. Pesquisei sobre moda, sobre cabelo e sobre maquiagem. Não quer dizer que eu tenha aprendido muita coisa, mas vi que posso me cuidar melhor – e isso não tem nada a ver com ser fútil.

Me declarei feminista. Pra mim mesma, pra minha mãe, pro mundo inteiro ouvir. Li sobre apropriação cultural, prostituição, gaslighting e muitos outros tabus. Não enxergo outras garotas como inimigas ou competidoras, mas como irmãs, semelhantes a mim. Procuro também saber o que acontece no país e no mundão que me cerca. Já tem muita gente ignorante (infelizmente...) por aí, e é através do conhecimento que você consegue enxergar o que precisa mudar no mundo.



Realizei pequenas vontades. Comprei uma roupa que queria, um perfume maravilhoso e arrumei meu computador. Chorei no show da Katy Perry, gritei no show do Muse e saí vislumbrada do show do Pearl Jam. Saí um pouco mais de casa – mas não na mesma frequência que minhas amigas, hehe -, mas nada ganha de uma boa tarde deitada vendo alguma coisa no Netflix.

Aprendi a ser mais cuidadosa com as minhas coisas, a ter mais paciência, e de que todos os males vêm por um bem maior. Aprendi a fotografar no modo manual, a diagramar uma revista, e a história dos meios de comunicação no Brasil. E espero aprender muito mais no ano que vem, nesse curso que me vem rendendo tanta história.

Eu estudei muito, dormi menos e passei a respirar mais ar puro. Eu chorei, ri e gargalhei. Me surpreendi e me decepcionei. Aprendi com meus erros, com meus acertos e com conselhos das pessoas que eu amo. E acima de tudo: vivi minha vida do jeitinho que ela merece ser vivida: com amor, respeito e dedicação, dando um passo de cada vez.

Obrigada, 2015. Não por ter sido um ano incrível, mas por ter me dado 365 oportunidades para fazê-lo memorável.

3 comentários:

  1. Prometi a mim mesma que teria de comentar neste post lindoco que você fez! Mesmo que eu já tenha te dito que eu amei, só a gente sabe o quanto é importante ter uma opinião registrada.

    Malu, você é uma menina incrível e eu sei que você vai longe. Lembro como ontem quando você estava ansiosa para as aulas começarem, quando você mal sabia que a sua vida ia mudar de ponta cabeça! E que bom que ela deu e você contou essa história da melhor maneira possível. Você é abençoada por ter tido tantas oportunidades em 2015, e será ainda mais em 2016! Muito sucesso e muito amor. E mais Puritanas, também! Humpft.

    Um beijo, Anna.

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    1. Ai, Anna, nem sei como agradecer pelo carinho! Obrigada por estar sempre presente, mesmo em coisinhas pequenas, como mandar um "bom dia" ou perguntar como eu estava. Que esse ano seja de grandes realizações para todas nós! Um beijãaaaao!

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  2. Que texto lindo, sério! Aprender a aproveitar a vida é uma coisa que descobri ser essencial, e que bom que percebemos cedo, não? Um ótimo 2016, bjs!

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